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Contos e Poesias

  07/03/2016 

TRAJETÓRIA / 1988

De repente sou aquela
que num momento qualquer
em 1888
aboliu a escravatura
seguindo sua intuição de mulher.

“Liberdade para os escravos!!!”

Estarão eles realmente livres?
Um século já é passado
e ainda os vejo escravizados,
subnutridos, subjugados, subempregados...

Já não sou Isabel,
passo a ser Benedita da Silva,
uma voz na Constituinte
a clamar, a pedir, a gritar
pelos irmãos de qualquer cor
pelos menos favorecidos,
pelo menor desassistido,
pela mulher...
que todo dia é espancada,
e estuprada, é discriminada
e, em nome do amor,

é então assassinada...

Nem princesa, nem deputada,
nem Anita Garibaldi
que, sendo ferinamente falada
por muitos de sua época e região,
aconselhando-se pelo coração
fez-se heroína de dois mundos...

Sou a heroína anônima,
operária, bancária, dona-de-casa,
comerciária, professora, economiária...

Poderia ser presidente,
pois tenho capacidade...
Não sou também Corazon Aquino?
Não sou também Margareth Thatcher?
Talvez fosse melhor dirigente
que muitos que se guiam pela ganância,
pela embriaguez do poder...

Sou mãe, sou irmã, sou amante,
mas, seja eu quem for,
sou primeiramente mulher.

(Escrita em 06.03.1988, para ser apresentada no Clube da Caixa, pela passagem do Dia Internacional da Mulher).

Fonte: Rubenita Alves Moreira
Última atualização: 07/03/2016 às 18:17:47
 
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